Como Incluir Impostos e Taxas na Precificação do Artesanato + Calculadora

por Ligia Rubia – PublicitáriaLigia Rubia
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Impostos e taxas na precificacao do artesanato

Ferramentas Grátis

Você calcula material, embalagem, mão de obra, coloca uma margem e pensa:

“Pronto. Agora é só vender.”

Aí chegam taxa do cartão, marketplace, imposto, comissão, frete subsidiado…

E aquele lucro bonito que existia no papel começa a desaparecer. 😂

Isso acontece porque preço de venda não pode ser calculado olhando apenas para o custo de produção.

Se existem valores que incidem sobre a venda ou sobre o faturamento do negócio, eles também precisam entrar na conta.

Neste artigo, eu vou mostrar de forma simples como considerar impostos, taxas e margem na precificação do seu artesanato — e você ainda pode usar a calculadora gratuita para fazer uma simulação.

Por que impostos e taxas precisam entrar na precificação?

Imagine que você venda um produto por:

R$ 100

Só que nessa venda você paga:

  • taxa de cartão;
  • comissão da plataforma;
  • tributos;
  • embalagem;
  • outros custos variáveis.

Você não recebeu efetivamente R$ 100 para pagar suas despesas e formar lucro.

Parte desse valor já tem destino.

Por isso, quando essas despesas são ignoradas na precificação, pode acontecer algo perigoso:

você acha que tem uma margem maior do que realmente tem.

E esse tipo de erro costuma aparecer justamente quando o negócio começa a vender mais.

Primeiro: MEI e ME não calculam tributos da mesma forma

Antes de falar em porcentagens, precisamos separar duas situações.

Se você é MEI

O MEI recolhe seus tributos por meio de um DAS mensal de valor fixo, desde que permaneça dentro das regras e limites do regime.

Em 2026, o valor do DAS-MEI é composto por contribuição previdenciária e, dependendo da atividade, também por ICMS e/ou ISS. O valor não é calculado como um percentual aplicado individualmente sobre cada venda.

Isso significa que eu não gosto da frase:

“MEI não paga imposto sobre venda.”

Ela é simplificada demais.

O mais correto é dizer:

o MEI recolhe tributos por meio de uma contribuição mensal própria do SIMEI, e esse custo também precisa ser considerado na gestão do negócio.

Para fins de precificação, você pode tratar o DAS mensal dentro da estrutura de custos do negócio, em vez de simplesmente colocar uma porcentagem tributária sobre cada produto.

Se você é ME optante pelo Simples Nacional

Aqui a lógica muda.

No Simples Nacional, o valor devido depende de fatores como:

  • atividade exercida;
  • anexo de tributação;
  • receita bruta acumulada;
  • faixa de faturamento;
  • alíquota efetiva aplicável.

A Receita Federal utiliza a RBT12 — receita bruta acumulada nos 12 meses anteriores — para identificar a faixa e calcular a alíquota efetiva do Simples Nacional.

Por isso, não existe uma porcentagem universal que eu possa dizer:

“Toda artesã ME paga X%.”

Isso seria errado.

A alíquota precisa ser verificada de acordo com o enquadramento real da empresa.

O que é a alíquota efetiva do Simples Nacional?

A alíquota que aparece nas tabelas do Simples é chamada de alíquota nominal.

Mas ela não é necessariamente o percentual final aplicado sobre o faturamento.

Para chegar à alíquota efetiva, o cálculo considera:

[(RBT12 × alíquota nominal) – parcela a deduzir] ÷ RBT12

A própria Receita Federal utiliza essa metodologia para o cálculo do Simples Nacional.

Calma. 😂

Você não precisa decorar essa fórmula para precificar cada peça.

Na prática, o mais seguro é usar a alíquota efetiva informada na apuração do seu negócio ou confirmar o percentual com a sua contabilidade.

Então qual percentual devo colocar na calculadora?

Se você é ME optante pelo Simples Nacional, informe a alíquota efetiva que realmente se aplica ao seu negócio.

Não chute.

Não copie a porcentagem de outra empresa.

E não use simplesmente a primeira alíquota que encontrou em uma tabela na internet.

Empresas com atividades e faturamentos diferentes podem ter cargas diferentes.

Se estiver em dúvida:

confirme com a sua contabilidade.

E as taxas de cartão e marketplace?

Essas são mais simples de visualizar porque normalmente são cobradas diretamente sobre a venda.

Por exemplo:

Você vende uma peça por:

R$ 100

E paga:

5% de taxa da plataforma

Então:

R$ 5

daquela venda serão destinados à taxa.

Se houver ainda outra taxa de:

3%

o custo percentual total já seria:

8%

antes mesmo de considerar outros gastos.

Cuidado para não somar porcentagens de qualquer jeito

Imagine:

  • 6% de tributos;
  • 5% de marketplace;
  • 3% de cartão.

Isso representa:

14% do preço de venda, caso todas essas cobranças realmente incidam dessa forma sobre a mesma base.

Então, em uma venda de R$ 100:

R$ 14 seriam destinados a essas despesas percentuais.

Sobram:

R$ 86

antes de descontar os demais custos do produto e da estrutura.

É justamente por isso que vender muito não garante automaticamente uma boa margem.

Como calcular o preço considerando custos e percentuais

Agora chegamos à parte prática.

Vamos imaginar que você tenha:

Custo do produto: R$ 40

E queira trabalhar considerando:

  • 6% de tributos;
  • 5% de taxa da plataforma;
  • 3% de taxa de pagamento;
  • 25% de margem desejada.

O erro seria simplesmente fazer:

R$ 40 + 6% + 5% + 3% + 25%

Isso não produz corretamente um preço quando esses percentuais incidem sobre o próprio preço de venda.

Uma forma matemática simplificada é:

Preço de venda = Custo total ÷ [1 – (percentuais incidentes + margem desejada)]

Exemplo

Custo:

R$ 40

Percentuais:

6% + 5% + 3% + 25% = 39%

Então:

1 – 0,39 = 0,61

Agora:

R$ 40 ÷ 0,61 = R$ 65,57

Nesse exemplo simplificado, o preço precisaria ser aproximadamente:

R$ 65,57

para que, depois dos percentuais considerados, reste o valor planejado para cobrir o custo e formar a margem indicada.

Por que “custo × 2” ou “custo × 3” pode dar errado?

Essa é uma das fórmulas mais famosas do artesanato:

“Multiplica o custo por três e pronto.”

Pode funcionar?

Pode.

Mas também pode dar completamente errado.

Porque esse multiplicador não sabe:

  • sua taxa de marketplace;
  • seu regime tributário;
  • sua margem desejada;
  • seu custo fixo;
  • sua comissão;
  • sua taxa de pagamento;
  • sua estrutura de vendas.

Ou seja:

ele pode acertar por coincidência.

E gestão não deveria depender de coincidência.

O que colocar no custo do produto?

Aqui também precisamos separar bem as coisas.

O custo do produto pode envolver:

  • matéria-prima;
  • insumos;
  • embalagem;
  • componentes;
  • perdas;
  • mão de obra direta;
  • outros gastos diretamente relacionados à produção.

Dependendo da metodologia usada, parte dos custos indiretos também pode ser rateada.

O importante é não cair no erro de achar que:

cera + essência = custo da vela

ou

resina + pigmento = custo da peça

ou

papel + fita = custo da caixa

Seu produto passa por um processo.

E esse processo custa dinheiro.

E a mão de obra?

Seu tempo precisa aparecer na conta.

Imagine que você gaste:

1 hora

para produzir determinado item.

E tenha definido que sua hora de trabalho vale:

R$ 25

Esse valor precisa ser considerado na formação do custo ou na metodologia de precificação que você utiliza.

Senão acontece uma coisa muito comum:

o produto “dá lucro” apenas porque a artesã trabalhou de graça.

E isso não é lucro.

É trabalho não contabilizado.

Use a calculadora de impostos e taxas na precificação

Para facilitar, você pode usar a calculadora abaixo.

Ela permite simular um preço considerando:

  • custo do produto;
  • tributos;
  • taxas;
  • margem desejada.

Precificação Descomplicada

Encontre o preço de venda perfeito em 1 minuto

1. Os Seus Custos

2. Taxas e Impostos

Se você for MEI, apenas deixe o Imposto ME em zero (0).

3. O Seu Lucro

O dinheiro que fica livre para você e para o crescimento do ateliê.

Sugestão de Precificação

R$ 0,00


Para onde vai o dinheiro desta venda?

– Custo da Peça (Material + Tempo): R$ 0,00

– Taxa da Maquininha: R$ 0,00

– Imposto Simples Nacional: R$ 0,00

– Lucro Limpo no Bolso: R$ 0,00

Desenvolvido por Lígia Rubia

Siga no Instagram para dicas: @oficialligia

Atenção antes de usar

A calculadora é uma ferramenta de simulação gerencial.

Ela não substitui a apuração tributária da sua empresa.

Se você estiver no Simples Nacional, informe a alíquota efetiva aplicável ao seu negócio.

Se tiver dúvida sobre esse percentual:

confirme com sua contabilidade.

O que eu mudaria nos campos da calculadora

Se você puder editar os nomes, amor, eu usaria assim:

Custo total do produto (R$)

Tributos sobre o faturamento (%)

Taxas de venda (%)

Margem desejada (%)

E no resultado:

Preço de venda sugerido na simulação

Valor destinado a tributos e taxas

Margem prevista

Eu evitaria:

“lucro limpo no bolso”

porque lucro da empresa e dinheiro disponível para retirada não são necessariamente a mesma coisa.

Mas e os custos fixos?

Eles também existem.

Exemplos:

  • contador;
  • internet;
  • software;
  • aluguel;
  • energia da estrutura;
  • mensalidades;
  • ferramentas administrativas.

Você pode tratar esses custos por meio de um rateio na precificação ou analisá-los por meio da margem de contribuição e do ponto de equilíbrio.

Inclusive:

👉 [Como Calcular o Ponto de Equilíbrio no Artesanato]

Esse artigo é o complemento perfeito deste.

Um preço pode cobrir o produto e ainda não sustentar o negócio

Essa é uma distinção importante.

Imagine que sua peça cubra:

  • matéria-prima;
  • mão de obra;
  • embalagem;
  • taxas;
  • tributos.

Ótimo.

Mas se a margem restante não consegue contribuir adequadamente para os custos fixos e para o resultado do negócio, talvez o preço ainda não seja suficiente para sustentar sua operação.

Por isso, precificação não termina na pergunta:

“Quanto gastei para fazer?”

A pergunta correta é:

“Esse preço faz sentido dentro do meu negócio?”

Cuidado com descontos

Imagine que seu produto esteja corretamente precificado em:

R$ 100

Aí você decide oferecer:

20% de desconto

Novo preço:

R$ 80

Só que muitos dos seus custos continuam iguais.

A matéria-prima não ficou 20% mais barata.

A embalagem não ficou 20% mais barata.

Seu tempo não ficou 20% menor.

As taxas também podem continuar incidindo.

Por isso, desconto precisa sair de algum lugar.

E geralmente esse lugar é a margem.

Marketplace também muda a conta

Uma peça vendida no WhatsApp pode ter uma estrutura de custos.

A mesma peça vendida em marketplace pode ter outra.

Você pode ter:

  • comissão;
  • tarifa fixa;
  • taxa financeira;
  • publicidade;
  • subsídio de frete;
  • outras cobranças.

Por isso, não existe obrigação de usar exatamente o mesmo preço em todos os canais, desde que sua estratégia comercial e as regras do canal sejam respeitadas.

O importante é saber quanto sobra em cada venda.

E se eu vender pelo cartão?

Inclua a taxa real cobrada pelo seu meio de pagamento.

E atenção:

parcelamento pode ter custo diferente de venda à vista.

Então, se você oferece parcelamento sem juros para o cliente mas paga a taxa do parcelamento, esse custo não desaparece.

Alguém está pagando.

E esse alguém pode ser você. 😂

E se eu vender no Pix?

Se seu meio de recebimento não cobrar taxa naquela operação, ótimo.

Mas isso não significa que todos os outros custos desapareceram.

A precificação não deve ser construída olhando apenas para a forma de pagamento.

Como saber se minha margem está boa?

Não existe uma porcentagem universal.

A margem adequada depende de fatores como:

  • segmento;
  • produto;
  • capacidade produtiva;
  • posicionamento;
  • concorrência;
  • custos;
  • volume;
  • canal de venda;
  • risco;
  • necessidade de reinvestimento.

Por isso eu não vou te dizer:

“Artesanato precisa ter 30%, 50% ou 100% de margem.”

Sem conhecer o negócio, isso seria chute.

O objetivo é construir uma margem que faça sentido para a sua operação.

O preço calculado e o preço de mercado precisam conversar

A matemática pode dizer:

R$ 120

Mas talvez o mercado em que você quer vender aceite:

R$ 80

Isso não significa automaticamente que você deve vender por R$ 80.

Significa que precisamos investigar.

Talvez:

  • o produto esteja caro para produzir;
  • o posicionamento esteja errado;
  • o público não seja o ideal;
  • o produto precise ser redesenhado;
  • o canal de venda esteja consumindo margem;
  • ou você esteja comparando produtos diferentes.

Preço não é decidido apenas pela planilha.

Mas também não deveria ser decidido ignorando a planilha.

O que fazer quando o preço ficou alto demais?

Não comece cortando sua mão de obra. 😂

Analise:

Fornecedores

Existe matéria-prima equivalente com melhor custo?

Processo

Há desperdício?

Embalagem

Ela está proporcional ao produto?

Tempo de produção

Existe alguma etapa que pode ser padronizada?

Taxas

Você está no canal mais adequado?

Produto

É possível criar uma versão com estrutura de custo diferente?

Posicionamento

O público atual entende o valor da peça?

Nem sempre o problema é o preço.

E nem sempre a solução é baixar.

Erros comuns ao incluir impostos na precificação

Copiar a alíquota de outra empresa

Empresas diferentes podem ter enquadramentos diferentes.

Usar apenas a alíquota nominal do Simples

A alíquota efetiva pode ser diferente da nominal, pois o cálculo considera a receita acumulada e a parcela a deduzir.

Dizer que MEI paga “zero de imposto”

O MEI recolhe tributos por meio do DAS-SIMEI mensal; em 2026 os valores variam conforme a atividade.

Esquecer taxa de cartão

Ela também reduz o valor líquido da venda.

Esquecer marketplace

Comissão e tarifas podem consumir uma parte relevante da margem.

Confundir margem com dinheiro disponível

A margem da venda ainda precisa contribuir para a estrutura e os objetivos financeiros da empresa.

Imposto não deve ser uma surpresa depois da venda

Essa talvez seja a ideia mais importante deste artigo.

Tributo não deveria aparecer como:

“Nossa, agora tenho que tirar isso do meu lucro.”

Se ele faz parte da operação, ele precisa ser previsto.

O mesmo vale para taxa.

O mesmo vale para comissão.

O mesmo vale para embalagem.

Quanto mais cedo esses valores entram na conta, menos susto aparece depois.

Perguntas frequentes

MEI precisa incluir imposto na precificação?

O MEI paga uma contribuição mensal própria por meio do DAS-SIMEI. Em vez de aplicar uma alíquota percentual sobre cada venda como se fosse uma empresa comum do Simples, esse custo pode ser considerado dentro da estrutura de despesas do negócio.

Qual é a alíquota do Simples Nacional para artesanato?

Não existe uma única alíquota válida para todo negócio artesanal. Ela depende, entre outros fatores, da atividade, do anexo aplicável e da receita bruta acumulada.

Posso usar a primeira alíquota da tabela do Simples?

Não é recomendável. A alíquota nominal da tabela e a alíquota efetiva podem ser diferentes.

Taxa de cartão entra na precificação?

Sim. Se o negócio arca com a taxa, ela reduz o valor líquido recebido e precisa ser considerada na formação do preço ou na análise da margem.

Comissão de marketplace entra no preço?

Sim. Comissões, tarifas e demais custos do canal precisam ser considerados.

Preciso colocar todos os custos em cada produto?

Todos os custos precisam ser cobertos pelo negócio, mas a forma de distribuí-los pode variar conforme a metodologia usada. Custos diretamente associados ao produto são tratados de forma diferente dos custos gerais da estrutura.

Precificar é muito mais do que somar material e colocar lucro

Uma boa precificação precisa enxergar o negócio como um todo.

Produto.

Mão de obra.

Taxas.

Tributos.

Custos.

Margem.

Canal de venda.

Capacidade de produção.

Porque não adianta criar uma peça linda, vender bastante e descobrir depois que boa parte daquele dinheiro já estava comprometida.

E é exatamente por isso que eu insisto tanto:

não basta saber fazer.

Você também precisa entender os números que existem por trás daquilo que vende.

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